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Carmen – au secours!

Esses dias eu estava passando perto do Teatro Nacional aqui de praga (Narodni Divadló, nas fotos) e resolvi dar um pulo na bilheteria, porque nunca sabemos o que podemos encontrar.

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planeta

Eis que achei ingressos pra Falstaff, o quebra-nozes (porque é Natal) e… Carmen! Eu tinha procurado pra comprar na internet e não tinha achado nada interessante. Cheguei lá, a moça me disse que tinha 3 ingressos disponíveis. Escolhi o melhor e mandei ver.

No dia seguinte, lá fui eu felizinha ver a cigana. O teatro é uma belezinha por dentro, pequeno, mas aconchegante.

Eu tinha comprado um lugar em um camarote, porque não tinha mais platéia. Cheguei no bendito, dei boa noite pro povo em tcheco (porque eu já falei que as 12 palavras que eu sei em tcheco me levam muito longe) e me sentei. Eu cantei Carmen nos idos tempos de vovó menininha, em uma outra vida, em Brasília. E depois armazenei isso no HD (externo). E nunca mais.

Quando a cortina se abriu, fiquei meio decepcionada. A produção tentou dar uma modernizada na coisa, mas eu não curti. Todo o figurino era branco, preto ou vermelho, mas sabe aquelas coisas que você olha e sabe que isso já foi feito milhares de vezes por milhões de pessoas que se achavam suuuuper criativas? Pois é.  Um único cenário, figurino pobre, uns caras vestidos de mulher, bailarinos ruins… socorro.

Daqui a pouco entra a Carmen.  Cabelo pela altura dos ombros, pequena, voz ok, e magra. Magra é bondade minha. SECA! E forte. Tipo a Carmen depois de um super bootcamp de pilates. Gente, é a Carmen. Eu sei que eu vi Celine Imbert fazer Carmen de cabelo curto, mas ali era Celine Imbert.  Não uma tiazinha seca que nem um graveto querendo fazer a gostosona… sei lá, posso ser eu a maluca, mas não gostei.

Daqui a pouco entra Micaela. Na ópera, Micaela é uma menina angelical, loura, apaixonadinha por Don José (que  não importa a montagem, nunca dá muito certo). Me entra no palco uma tia de uns 45 anos, gorda, peituda, com uma roupa azul (porque eles mencionam a roupa azul na música, então não dava pra ser branca, vermelha ou preta) e eu quase engasguei. Senhor… a coisa não podia ficar pior. Mas aí ela abriu a boca. E eu calei a minha. Uma voz linda, doce, voz de Micaela, sem aquelas forçadas horrorosas que a gente vê por aí. E eu chorei (pela primeira vez, porque chorei de novo quando ela cantou a ária da carta. E de novo quando Don José implora a Carmen por seu amor – e já tô com nó na garganta outra vez).

Resumo da ópera (tururum-psss!): foi muito bacana, mas era melhor fechar os olhos…

O melhor foi conhecer o Schirmann. Estava eu sentada no meu camarotinho e tinha um cara sentado atrás de mim. Eu presumi inicialmente que ele era amigos do casal tcheco sentado ao meu lado. Lá pelas tantas, ele esbarrou em mim e disse Sorry. Bem, amigo dos tchecos não era. No intervalo, eu perguntei se ele sabia quanto tempo levaria. Ele respondeu e eu perguntei de onde ele era. E veio a resposta mágica – From Brazil!, comprovando a teoria de que os japoneses que se cuidem, porque nos tornaremos os turistas oficiais!

Começamos a conversar, ele mora em Dublin e estava aqui passando uns dias… ficando em um albergue no centro, blablabla… e ficamos amigos de viagem, que são aquelas pessoas bacanas que você conhece, e elas são parte da sua vida por alguns dias, e depois vai cada um pro seu lado. Saímos do teatro, ele perguntou se eu sabia aonde ir e eu o trouxe ao meu restaurante (sim, porque eu já adotei um restaurantinho do coração – uma pizzaria pertinho do meu hotel que tem um spaghetti alho peperoncino que é de comer de joelhos).  Comemos uma pizza e tomamos cervejas e sassaricamos por Praga pelos próximos 3 dias, quando ele teve de voltar a Dublin e eu ao trabalho.

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