Como você pode ter notado, o blog está de cara nova. Eu tenho um bicho carpinteiro danado, então quando tive um tempinho, olhei pra aquele blogzinho branco, coitadinho, com aquele patinzinho coitado e, como deve ocorrer com todos os relacionamentos disfuncionais, WAPO! Dei a bica nele.
Agora vocês podem se deliciar com esse novo layout desenvolvido por MIM, MYSELF and I!!! Ai, que fina que eu sou! Tudo bem que eu só editei uma imagenzinha (e ficou tosca, eu sei), mas GENTE! Eu sou uma pessoa das palavras! Não das imagens! Softwares de tratamento de imagens pra mim são coisa do outro mundo, sempre foram. Vetor pra mim é só da física. Acho lindo o conceito de vertorização de imagens, posso dar várias palestras sobre o assunto, mas a verdade é que não faço a parada acontecer. Meu site foi feito pelo JP. Selecionei as fotos, disse como queria, mas só. Eu ficava do lado, dando pitaco (até hoje ele tira sarro de eu dizer: agora gira o logo uns 15 graus pra direita… rs).
Tenho muito orgulho em dizer que FUI EU que editei esse patinzinho aí. Achei na internet, mas pintei, peguei um tema, editei a imagem do cabeçalho e não adianta dizer que qualquer macaco ensinado faria, porque estou me achando o máximo. E ainda tem em verde e vermelho. É só clicar lá em cima, do lado direito.
RÁRÁRÁ!

Depois de todo o drama com o Alasca, de sermos usurpados de quase um mês do nosso orçamento e de chafurdar um pouco na minha miséria, levantei, sacodi a poeira a saia e resolvi voltar à ativa. Uma vez vi um filme (totalmente dispensável), que tinha uma frase bacana. Ela dizia “you have 5 minutes to wallow in the delicious misery: enjoy it, embrace it, discard it and proceed”. Descartei a minha. Pronto.
Restava saber o que fazer, Ficar pagando 150 dólares por noite em Seattle não ia rolar. Sem contar o fato de uma coisa dessas te fazer perder totalmente o interesse pela cidade. Você broxa. Não tem jeito. Eu queria conhecer Portland, a maior cidade do Oregon (a capital é Salem). Ouvi dizer que a paisagem é linda, que a cidade tem uma vibe alternativa… achei que valeria a pena. JP me disse que os comerciantes da cidade fizeram uma campanha que se chama Keep Portland Weird, para manter a cidade livre da massificação das cadeias de varejo e manter os pequenos negócios e a característica exclusiva da cidade. Acho que a campanha tem muito mérito. Quando você passa por muitas cidades nos EUA, como estamos passando (estamos na vigésima cidade), você começa a achar todos os lugares muito iguais. A massificação das cadeias de varejo (restaurantes, supermercados, vestuário, consumo em geral) é impressionante. Você encontra muitas cidades iguaizinhas, localizadas em locais tão extremos quanto a Flórida e Massachussets. Começa a cansar. Portland tem um ar fresco, novo. Realmente vale a pena manter isso.

Outra coisa boa é que talvez consigamos o visto pro Japão. Me explico: tentamos tirar o visto pro Japão no Brasil, mas não foi possível porque os vistos para o Japão são emitidos com uma validade de 90 dias para entrada no país. O problema é que teríamos que passar pelo menos 150 dias para chegar ao destino naquela época. Dessa forma, enfiamos o nosso rabinho no meio das pernas e dissemos: “bem, se não der, não deu. Paciência.” Quando cheguei aqui em Portland, estive buscando um visto para o México, porque minha mãe vem pra cá mês que vem e vamos levar a Neidoca pra dar um rolê em águas mexicanas (não, não precisamos de visto pra lá - mandei até email pro consulado), e encontrei o consulado do Japão. Como quem não chora não mama, resolvi ligar pra assuntar se rolava pegar um visto. Não só eles vão me deixar pedir, como o tiozinho que me atendeu quer saber tudo sobre a minha viagem, além de dizer que ele adoraria poder fazer uma viagem dessas. Me divirto. Amanhã vou lá falar com ele. Viu? Minha mãe diria que quando Deus fecha uma porta, abre uma janela. Ou talvez seja a minha Polianna interna mesmo.



Seattle é uma cidade muito bonita. Eu gosto dessa coisa mar+cidade, acho que cria um equilíbrio interessante. Sem contar que cidades com costas recortadas sempre têm muitas pontes e eu as adoro. Passamos dois dias em Seattle antes do xabu do Alasca e um dia depois. Um ponto ruim é que ficamos na área dos hotéis, ou seja, a área turística mesmo. Lojas, lojas, lojas… um mercado aberto, onde supostamente os comerciantes de peixes arremessam os peixes para seus companheiros (e é claro que chegando lá, tinha uma horda de turistas de câmera em punho esperando avidamente pelo arremesso, mas comprar peixe que é bom, não tinha um), coisas do gênero. Tivemos sorte e pegamos sol nos dois primeiros dias, aí o povo não deixou a gente embarcar e começou a chover.

Bem, esse é um dia à parte. Primeiro, nos barraram no embarque do diabo do cruzeiro. Contei todo o drama, fiquei mal, chorei, bibibi, bobobó. Depois de tudo acontecer, resolvemos sair para espairecer, ir à Space Needle, essas coisas. Fomos até lá, pagamos quase 20 mangos cada um pra subir, vimos tudo lá de cima, ok. Qual não foi a minha surpresa ao ver o meu navio indo embora e eu lá na Space Needle. O MEU NAVIO! AAAAAAAAAAAAAAA!!! Que ódio! Ele é o da esquerda na foto, fiadaputa. Aí já entornou o meu caldo. Eu tava começando a esquecer, o bicho aparece. Descemos da torre e fomos a um parque que está ao lado da mesma. Conforme me aproximei, comecei a escutar uma música meio familiar. Daqui a pouco me dei conta da desgraça. TInha um grupo de axé lá. Cheio de brasileiro em volta. E com umas moças de calça branca, calcinha preta por dentro agachando e fazendo a dança da bundinha, do ladinho, da qualquercoisinha da vida. SENHOR! ME DÊ PACIÊNCIA, PORQUE SE EU TIVER FORÇA EU MATO! Quem me conhece sabe que essas demonstrações de “cultura” brasileira me dão paúra, além de vergonha alheia. Acho que essa é a fonte de 90% da estigmatização que eu sofro como mulher brasileira fora do Brasil. Acho que é possível ser sexy sem ser vulgar acho tudo isso uma coisa meio triste, que nos relega a sermos eternamente a república das bananas. Sabe aquela coisa de filme americano, que é só aparecer os caras se divertindo que tem margarita e mariachi no meio? Isso. Não sou nenhuma panfletária e não quero criar polêmica, mas tinha que aparecer esse povo justo no meu caminho? JUSTO cinco minutos depois de eu ver o navio pelo qual eu paguei um dinheiro suado sair SEM MIM e navegar mansamente rumo ao Alasca? Ai, saco.
Pensei em utilizar frases engraçadinhas e subterfúgios literários pra começar esse post e segurar o resultado até o final da narrativa, pra causar suspense, mas a verdade é que não tenho vontade. Não fomos ao Alasca. Não nos deixaram embarcar. Alegaram que tínhamos de ter um visto de trânsito para o Canadá. Contra-argumentei, pois afinal, estamos falando de um cruzeiro que sai dos Estados Unidos (Seattle) e fica nos Estados Unidos (Inside Passage e Alasca), mas me explicaram que a navegação se dá por águas canadenses. Excelente. O único problema é que isso não foi mencionado no momento da reserva, quando INFORMEI que não era cidadã americana e que tinha um visto de turista para os EUA, ou no envio do e-mail de aprovação e recomendações, ou no envio da documentação eletrônica. Em todos os momentos, apenas foi informado que o passageiro é responsável pela obtenção dos vistos e por fornecer provas legais e aceitáveis de seu status nos EUA, se não americano. Se pensarmos dessa forma, quem faz um cruzeiro pelo Caribe teria de arrumar vários vistos. Bem, aparentemente eles não precisam avisar ninguém desse PEQUENO detalhe, porque afinal, cidadãos dos EUA e da UE não precisam apresentar visto para o Canadá. E quem me conhece sabe que eu não brinco com documentação e vistos. Nunca tive um visto negado pra qualquer lugar. Aceito as regras do jogo e me programo de acordo. Viajei pro exterior dezenas de vezes, Falo vários idiomas. Já tirei visto pro Canadá. Estive esperando faz mais de mês por essa data, mais da metade dele em NY, onde poderia facilmente ter ido a um consulado para resolver o problema, passei por Niagara Falls, comprei um cruzeiro mais caro, pois saía dos EUA, para evitar o problema do visto. Tudo em vão. Fui barrada na entrada, com um ticket pago de USD 3 mil, malas prontas, como se fosse uma imbecil que nunca saiu de casa. Passei pelas cinco fases. Negação. Raiva. Barganha (e aí me ofereceram a “opção” de ficar em Seattle, passar o dia implorando por um visto hoje no consulado, depois pegar um vôo de 600 dólares cada um pra ir pro Alasca TENTAR encontrar o navio amanhá - e eles não se responsabilizam por nada, claro (ou como transformar uma perda de 3 mil dólares em 5 (hotéis, vistos, vôos) com apenas uma decisão imbecil). Depressão, Aceitação. (ainda estou transitando entre as duas).
Cansada por argumentar com uma mocoronga de 12 anos que mal sabia o que estava fazendo lá, comecei a rever mentalmente todas as etapas e me certificar de que em nenhum momento realmente eu fui avisada disso, até porque meu alarme iria disparar, pois sei os vistos que tenho e os que não tenho). Pensei no meu dinheiro perdido (o passageiro se responsabiliza pelos vistos… yada, yada, yada…), em quanto trabalhamos pra isso, em quanto isso impacta a minha liquidez pra realizar o sonho de uma vida com pouca grana, na semana perdida de trabalho, porque já avisei aos meus clientes que não estaria disponível.
Saí do terminal portuário. Catatônica, atravessei a rua com as malas, entrei no primeiro Starbucks que encontrei, sentei no sofá e chorei. Chorei porque eu queria muito, muito ir. Chorei porque não conseguia acreditar em o quanto uma simples informação poderia ter mudado aquele momento. Chorei porque com essa grana eu poderia ter a bolsa da Stella McCartney linda de morrer que namorei em NY, mas fiz a salim. E ainda sobrava pra uns Guccis ou Louboutins. Chorei por que me planejei, não fiz nada corrido. Chorei porque devia ter previsto isso. Chorei porque eu não mereço. Chorei como estou chorando agora.
(pausa)
Após regar o meu laptop, consegui um hotel pela internet, saímos puxando as malas de novo, entramos em um táxi e fizemos mais um check-in. Entramos no quarto, conversamos sobre o ocorrido, o João entrou na internet e disse que não fomos os primeiros, de acordo com vários outros relatos de pessoas que passaram pela mesma situação devido à falta de preparo da empresa (que no fim das contas, também não lucra com isso, pois perde os clientes, arruína as férias de pessoas que esperaram um ano por isso e só tinham essa semana de férias, não conseguem colocar mais ninguém naquela cabine, entre outros). Depois ponderei e vi que, se toda grande viagem tem problemas e todas elas têm, maiores or menores, que esse seja um dos meus. Que a minha perda seja só dinheiro e algo que eu consigo fazer de novo depois. Que não me levem a coragem, a garra ou a saúde.
Depois de algum tempo, resolvi ligar para a minha mãe, pra contar que não tinha ido. Meu irmão atendeu o telefone e disse: ” Que bom que você ligou. A (nossa) mãe estava angustiada, super preocupada com você” (nisso eu escuto minha mãe atrás, dizendo que ela não estava angustiada coisa nenhuma, que ela estava perdendo nas cartas, imagina. Essa é a minha mãe - disfarçada de general da SS) . Conversamos por algum tempo, contei o ocorrido e então ela finalmente disse: “Olha, minha filha, eu estava com o peito apertado, muito angustiada, preocupada com você, sem saber por que. Há males que vem para o bem.”
Ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração.
Sei que há males que vem para o bem. Se alguém descobrir o bem nesse caso, me avise, por favor.
Enquanto isso, sou a sleepless in Seattle. E os caras do South Park têm razão. Blame Canada.
Nova Iorque. Hora da verdade.
Foram 20 dias de convivência, samba e suor (menos samba que suor). Quando decidi ficar mais tempo, queria ver o que realmente eu achava da cidade. Se teria preconceitos em relação a ela depois de conviver ou se me sentiria em casa em algum momento. A cidade tem os seus problemas, como qualquer cidade grande, a população é muito diversa (como em Londres), em geral, mora-se mal e caro.
Mas existe o lado bom. Nova Iorque é uma cidade dinâmica, ousada, que te desafia 24×7. Não estou falando simplesmente te desafiar em termos práticos, mas em tudo. Você olha pros lados e vê oportunidades infinitas, negócios a serem abertos, um mercado ávido por tudo o que é novo, hype, bacana. Gente de vanguarda, coisas agradáveis e não tanto. Muito de tudo. Quem me conhece, sabe que meu miolo não pára quando falamos de negócios. Sou uma pessoa que sabe mais ou menos o que não quer, mas está aberta a querer todo o resto. Meu Deus, como eu queimei o meu miolo aqui. Quanto eu fiz de conta mental, quanto eu medi o meu orçamento, li sobre novos negócios, pensei em uns outros tantos, ponderei como manter uma vida saudável e equilibrada em uma cidade louca, me senti a rainha do mundo em alguns momentos e extremamente pequena e inadequada em outros, mas no fim das contas, vi que estou em uma média bem agradável. A imagem que eu tinha do nova-iorquino era muito ruim, de um povo arrogante, estúpido. Só fui bem tratada. Em todos os lugares, com demonstrações gratuitas de camaradagem e piadas do barista do Starbucks, entre outras.

Manhattan chega a me dar medo em alguns aspectos (e essa fumaça brotando dos canos no chão???). A materialidade de tudo, o valor que as pessoas dão para grana, aparência, a disponibilidade de TUDO, contanto que se possa pagar, isso mexe comigo. Eu já dei muito valor a essas coisas, quem me conhece sabe. Com o tempo percebi que não adianta ter casca sem recheio. Mas quando você entra na Prada do Soho, na Bergdorf Goodman, na Saks da quinta, seu desprendimento dos bens materiais começa a fraquejar. Aquele cheiro de pelica misturado com perfume, aquela atmosfera, aquelas bolsas, aqueles sapatos, AQUELES SAPATOS! MEUS DEUS! Alguém me ajude. Alguém me lembre por favor de que eu vou ficar mais 11 meses na estrada, andando quilômetros todos os dias, sem uma reunião de negócios, sem uma festa ou recepção em que um par de sapatos salto 11 seja necessário. Alguém me lembre de que eu sou o que eu sou, bonita ou feia, inteligente ou burra, independentemente de carregar ou não uma dessas bolsas maravilhosas que eu vejo na minha frente. Alguém me lembre de que eu tenho o João Paulo e não posso pedir o Marc Jacobs em casamento. Ele é gay? Não tem problema! A gente sai pra comprar sapato junto! SOCORRO!!!!!
O João viu que eu comecei a tremer e já veio aqui perguntar se eu estava sonhando com sapato de novo. Ele me salva.
Mas agora sério. NY é uma faca de dois gumes. É como chegar àquele ex-bebum com uma garrafa de puro malte. É complicado. Mas existe um meio-termo. E esse meio-termo se chama Brooklyn.

O Brooklyn é como uma versão mais jovem e menos corrompida de NY. É uma fuga dessa coisa corporativa, vazia, evil, podrinha, casada-com-investment-banker-desperate-housewife, sou-modelo-e-por-isso-vomito-4-vezes-por-dia, o povo cheirado. Essas coisas que você vê amplificadas em NY. O Brooklyn é um lugar que se parece com um lugar normal, em que é possível para alguém como eu pagar um aluguel (existem alguns lugares em Manhattan que eu tb gosto, o duro é arrumar apartamento lá por menos de USD3mil por mês sem morar em uma caixa de sapatos). Ficamos em uma área chamada Williamsburg, na primeira parada do metrô depois de Manhattan, fornecendo uma proximidade interessante, mas ainda sem estar imerso naquela loucura o tempo todo. O lugar é tranquilo, sem trânsito, você anda para todos os lugares, à noite consegue dormir, faz amizade com o cara da deli, que te faz um sanduba fresquinho todo dia, janta no restaurante tailandês hoje e no indiano amanhã, vai à cervejaria artesanal que abre pra um happy hour na sexta à noitinha e pega uma cerveja fresca, recém fabricada. Muito bom.
Assim, NY passa formalmente a ser uma possibilidade. Me sinto em casa
Estámavos em NY, tranquilos no nosso apartamento, quando o Fabrício inocentemente mandou uma mensagem de orkut pra mim chamando a gente pro aniversário dele no sábado (passado) em DC. Eu, que não perco uma oportunidade de ver amigos, já comecei a agitar o carcaju. Depois de 5 minutos de nagging, ele topou. Decidimos então alugar um carro e ir pra DC e voltar no mesmo dia. Vai gostar de churrasco assim lá na conchinchina.
No sábado cedinho acordamos com as galinhas e pegamos um taxi pra La Guardia para pegar o carro. Tinha alugado um carro médio, como faço normalmente. Mas estamos falando de New York. Simplesmente tive que recorrer a CINCO empresas de aluguel de carro, porque estava TUDO ESGOTADO. Aqui é uma coisa sem noção. O povo é ensandecido. A mulherada briga por roupa, bolsa e sapato na liquidação. Tipo catfight mesmo. Feio.
Bem, voltando à vaca fria, na hora de pegar o carro, que tinha sido suado pra conseguir, eu estava até meio apreensiva na fila, porque como os carros menores são os primeiros a ir, principalmente com o tema todo do preço da gasolina aqui, já estava esperando que eles me dessem uma banheira qualquer ou um Sequoia da vida, que é quase um apartamento de 3 quartos que anda (e não bebe gasolina, come com farinha). Cheguei no balcão e a moça falou: não tenho o carro que a senhora encomendou (ai, jesus)… mas tenho um Mustang ao mesmo preço. O QUÊ??? PASSA ESSE MUSTANG PRA CÁ JÁ!!!!! (quanto à gasolina, todos os países do mundo pagam pelo menos o dobro do que a gasolina custa aqui -DANE-SE O PREÇO DA GASOLINA. DANE-SE O AL GORE. DANE-SE O AQUECIMENTO GLOBAL. QUERO DAR UMA VOLTA NESSA BELEZINHA).
Eu ADORO dirigir. Adoro o ronco do motor. Adoro sentir o carro avançando, adoro ter a sensação de ganhar o chão. Eu me lembro de ser novinha ainda e perguntar pra minha mãe se ela gostava de dirigir e ela me dizer que sim, porque dirigir dava à gente uma sensação de independência, de potência.
Eu nem escutava mais o que a moça do balcão dizia. Queria o carro. De que cor seria? Meu Deus, por favor, vermelho não. Não faça isso comigo. Por favor… Saí meio saltitando, meio correndinho pra vaga em que estava o Mustang. Era vermelho! Ai, não! Calma, tem outro. Olha o número da vaga!!!! Olha, olha… Não é o vermelho. É outro. É azul. ufa. Azul. Metálico. Que pena que eu não trouxe um vestido e um sapato de salto pra combinar com ele. O carro merecia um outfit à altura.

Pegamos a estrada e o bicho anda bem. Motor esportivo, câmbio manual/automático. Makes curves like it´s on rails. Ahhhh…
Chegamos ao churrasco e o Rô já veio andando e dizendo, ai, deixa eu ver o Mustang… hehehe. divertido.
A comida estava deliciosa, os amigos compensam qualquer distância, nos divertimos muito. Foi uma pena não podermos ficar mais. Comemos, brincamos, eu disse que ia cantar e não cantei (tinha um monte de gente diferente e no maior silêncio; fiquei com vergonhinha - sou aparecida, mas nem tanto). Aliás, depois vimos que foi tão divertido que não temos nenhuma foto. Rodrigo, Fabricio, Vivi, aceitamos doações. Elas serão colocadas aqui e os devidos créditos serão dados aos fotógrafos de plantão.
Depois de comer, brincar e pular, voltamos a NY. Chegamos às 3 e meia da manhã. Tivemos que acordar às 7 pra entregar o carro na Hertz. Mas valeu. Faço de novo a qualquer momento, sem pestanejar.

Essa eu tinha postado no meu blog pessoal, mas não aguentei e tive que colocar aqui tb.
PRa eu dar um pouco de contexto, tem gente que acha que os tradutores automáticos (babelfishs da vida, quer sejam mais ou menos sofisticados) venham a substituir os tradutores humanos. Eu te digo que, além da especificidade dos idiomas (onde uma mesma palavra pode ter significados diferentes dependendo do contexo > manga de camisa e manga fruta, por exemplo), coisas muito do mal podem acontecer se você confiar apenas numa máquina. Que o diga esse pobra comerciante chinês da foto, que resolveu traduzir o letreiro do seu negócio para o inglês. Pensou um pouco, foi a um tradutor automático e colocou o nome do negócio. Pegou o resultado fornecido e fez um banner.

(A Tradução do letreiro é: Erro no servidor de tradução, caso você esteja se perguntando.) Viu? Depois não diga que eu não avisei.
Domingo em NY é uma delícia. A cidade adquire aquele tom de informalidade, o trânsito diminui (ahhhhhh), tudo fica mais legal, principalmente se fizer sol, como foi o caso hoje.
Saímos cedo pra entregar o carro alugado, comemos um sanduba em uma deli (vou escrever sobre as delis depois, ainda estou pesquisando e colhendo material = calorias) e depois fomos ao Metropolitan Museum of Art. Eu já tinha estado no museu, então não foi muita novidade, mas fui surpreendida por uma mostra do Jeff Koons no jardim do Met. O artista é conhecido por fazer uma arte popular, cheia de ícones americanos, usando aço inox. As esculturas são lindas. Bobas, mas lindas. Esse cachorro parece uma coisa de desenho animado. É enorme! Adorei. TInha tudo a ver com o meu humor no momento. Vi o cachorro e não conseguia parar de sorrir. É uma versão imensa de um cachorrinho de bexiga, que se faz em festa de criança…

Pra ajudar, a vista do jardim, que fica no quinto andar, é de matar (mata de infelicidade quem vê os apês pré-segunda guerra na quinta avenida e sabe que não vai rolar nunca. Eu teria que nascer, trabalhar, trabalhar, morrer, nascer de novo, continuar trabalhando e fazer isso umas oito vezes pra conseguir morar lá!)

Depois fomos ao Central Park curtir o dia, mas já estávamos cansados, suados… então não deu pra curtir tudo o que se poderia curtir no parque, mas ainda temos duas semanas… vai dar pra compensar depois.

Meus sentimentos a respeito de NY são dúbios. Adoro o buzz da cidade grande, adoro poder caminhar pelas ruas em uma cidade em que ninguém dá a mínima, A-DO-RO dobrar a esquina e me deparar com uma loja da Puma Black Series, Alexander McQueen ou Stella McCartney, entrar, olhar tudo o que tem de novo e pensar que agora não dá, mas aquela bolsa cinza IN-CRÍ-VEL que ela lançou nessa estação já cabe no meu bolso se eu não tivesse mais 10 meses na estrada. Ah! Adoro isso.
Gosto do fato de estar novamente em casa (sempre me achei um bichinho de cidade grande), mas odeio o fato de tudo ser tão caro. Por tão caro, leia-se um orçamento mínimo de uns 250 dólares por dia, incluindo hotel e alimentação pra ficar fora de Manhattan. Odeio o fato de você entrar em um café e pedir um muffin e um café e perder quase dez dólares nessa. Odeio o fato de que a maior parte dos novaiorquinos mora mal, em prédios com uma manutenção precária e tem de ser adulto e dividir apartamento, que nem gente de faculdade. Porque viver em república ninguém merece.
MAS…
A gente até considera a idéia pra morar aqui um pouquinho.
Eis que tínhamos a nossa passagem marcada pra Seattle pra sair hoje, mas eu pensei melhor, falei com JP e aluguei um quarto no apartamento de uma designer (em uma área bem bacana do Brooklyn) por duas semanas pra podermos sentir o que é viver em NYC. Porque se a minha primeira impressão sobre algo é não gostar, eu vou lá e convivo com o bicho pra ver se realmente eu não gosto. Depois, se confirmar as minhas impressões, pelo menos tenho a minha experiência. Vamos ver como nos saímos.

Viemos ver a Liv, que está na Filadélfia. Minha (Kimi) relação com a Lívia é algo engraçado. Ficamos meses (às vezes anos) sem nos falar, mas quando a gente se vê, vai ao supermercado e a caixa pergunta se somos irmãs (realmente aconteceu). Aí a gente fala que foi separada no nascimento e ficam as duas com aquele sorrisão no rosto, tipo “eu sei, eu sei, a gente náo é uma a cara da outra???”

Bem, passamos um fim de semana incrível. Infelizmente não deu pra ficar mais, porque nós tínhamos que executar um teste de software MALA sem alça. Entretanto, fizemos churrasco (na chuva), tivemos duelos legendários com espetos de vegetais, acabamos com o estoque de cervejas locais e artesanais da Liv, brincamos com os gatos, fomos a um bar de tapas (porque a gente é kinky!) e ainda conseguimos colocar parte da conversa em dia. Foi pouco, eu sei. Mas sempre podemos não nos falar por telefone e não mandar emails e falar com a nossa terapeuta sobre aquela nossa amiga tão querida e como podemos tentar superar as barreiras do mundo moderno pra estabelecer uma comunicação mais eficiente.
Love you, friend. Be well and may the force be with you.

