Bom, já que eu estava falando de cecê mesmo, me empolguei e vou falar de pêlo (não me conformo de as pessoas da reforma ortográfica terem removido o acento diferencial, mas tuuuuuudo bem).
Agora vou falar de outra cosita tão linda aqui dessas bandas. Pelos. Em sovacos. De mulheres. (ou: da falta que uma depilação faz).
Quando eu comecei a vir pra cá, percebi que em muitos aspectos, a República Tcheca é a cozinha da Alemanha. O povo aqui já foi pau-mandado de alemão, as pessoas mais velhas falam alemão, o país fornece muitos serviços pra Alemanha… ou seja, eles são meio o primo pobre (e sim, as coisas estão mudando). Mas a Alemanha é o segundo GDP do mundo, meu bem. Aí fica difícil competir.
Fato é que aqui tem bastante alemão e/ou influências alemãs.
E como a Alemanha exporta mais que joelho de porco, temos as pessoas “naturais”.
E pode me chamar de jacu, mas as pessoas naturais são, assim, naturais. Elas não passam perfume e não fazem depilação. Você vai à academia e na hora de tomar banho, quase cai sentada no box quando as suas coleguinhas levantam o braço e tem uma rapunzel lá. Eu não sei muito a respeito, porque eu adoro um sabonetinho mesmo.
Elas estão em todos os lugares. Uma moça levanta o braço pra te perguntar algo no escritório e você vê os cachos saindo da manga da camiseta. Eu não consigo nem responder direito. É complicado.
Massss… eu normalmente tento entender as pessoas. E fui fazer pesquisa sobre as tais “naturais” com o meu amigo Pierre, que mora em Berlin, é sueco, solteiro, tem 40 anos e já deve ter visto várias de perto (irc). À propósito, o Pierre é uma pessoa extremamente sueca, mas poderia ser suíço, porque ele é O imparcial.
Sentamos e eu comecei a perguntar. E ele disse que conheceu uma menina que era assim, e quando ele estranhou (não, não perguntei detalhes, eu tinha jantado), ela disse que “era só pelo…”. E eu fiquei pensando… pensando… pensando…
… e agradeci aos céus pelo fato de eu ser brasileira. Juro por Deus que nunca mais vou tirar sarro das moças de calça stretch brancas dançando na boquinha da garrafa.
Tenho que comentar uma coisa senão eu vou M-O-R-R-E-R-R-R-R (com vários Rs no fim)!
O povo aqui em Praga tem um cheiro, assim, tão diferente. Digamos assim que as ações da Procter & Gamble estejam em constante queda por aqui, porque simplesmente O POVO NÃO USA DESODORANTE!
No inverno, a coisa é fácil. De vez em quando tem um tiozão fedidão, vc simplemesmente dá meia volta e finge que não viu (ou sentiu). Mas o verão vem chegando, os vagões do metrô vão ficando com aquele cheiro característico de galinheiro… e o cecezão impera. NUNCA, eu disse NUNCA, almoce e entre no metrô logo depois aqui em Praga. Você VAI se arrepender.
E o pior são as mocinhas…. tem umas mocinhas aqui tão bonitinhas, loirinhas, dos olhos azuis, magrinhas, engraçadinhas, estudadas… mas com um bodum que deusolivre…
Senhor, dai-be luz, borque eu já estou de dariz tampado faz dempo…
… toda vez que visito o meu blog e vejo um erro de digitação.
Mas já diz a minha sábia terapeuta que a gente não deve se aprisionar, então eu engulo o meu sentimento enoooooohme de control freak e fecho a página rapidinho e penso que está tudo bem, porque o blog é só uma diversão.
Respira no saco de papel, Kimi!
Hoje JP e eu , em comemoração ao final do projeto, resolvemos ir comer comida japonesa, porque a gente não é de ferro, batata ou alho.
Aqui perto de casa (já tô chamando de casa porque eu sô facinha, facinha pra essas coisas) tem um xópim ótemo que tem um running sushi… Running sushi é a designação daqueles sushis que vêm andando no pratinho, o pratinho fica em uma esteira e a esteira passeia pelo restaurante. Você paga por cabeça (tem lugares em que é pago por pratinho, mas esse a que nós fomos é rodízio) e vai pegando os pratinhos que te apetecem. Cada pratinho tem uma comidinha pequenininha, o que permite que você coma vááárias coisinhas miudinhas e diferentes e não se chateie rapidamente.
Como eu e o Mario Batalli concordamos com o fato de que ninguém quer comer 20 colheradas da mesma comida, quando a gente achou o restaurantinho, ficamos amigos. Custa meio caro pra padrões tchecos (uns 30 reais por cabeça, mais 4 por coca-cola – de 200 ml), mas ainda vale.
Bem, divago.
Voltando à vaca fria, fomos comer no restaurantinho do xópim felizes e contentes… comemos um monte de coisa bonitinha, vários sushizinhos tchutchucos… quando JP vê lulas no espeto. Achou bonitinho e quis comer.

Comeu, mastigou, disse que era gostoso e salgadinho e que eu deveria experimentar uma.
Eu já acho lula uma coisa meio difícil de comer, porque fica dura que nem uma borracah se for cozida por muito tempo. E as pessoas adoooooram cozinhar qualquer coisa por muito tempo… acham super boeuf bourguignon.
Enfim, já que ele falou, eu decidi comer uma.
Niquiquando eu tava mastigando, várias sensações me acometeram:
1 – Tinha areia na bicha
2- Tava fria e oleosa
3- Tinha um gosto de mar desgraçado…
Eu não gosto de comida com gosto de mar! Eu tenho trauma de udon por isso!
Cara, eu sei que foi me dando um desespero, eu arregalei o olho e JP, que nunca tinha visto isso acontecer, olhou pra mim e disse:
- Fica firme. Olha pra mim e engole esse negócio. Não precisa cuspir no guardanapo….
E quem disse que eu consegui? Tentei, mas eu só conseguia pensar na areia, e no gosto de mar, de alga esmagada, de areia…. aaaaaaargh.
Puxei um guardanapinho e cuspi, respirando fundo e agradecendo a deus que eu não precisei gorfar na mesa do restaurante. Mas foi quase.
Alguém aí quer compar um pouquinho de colesterol? To oferecendo porque o meu já está ok, obrigada.
(tirada em Amsterdam)

Hoje vou falar um pouco sobre a comida e a bebida aqui na República Tcheca.
Quando eu cheguei aqui pela primeira vez, fiquei encantada com a comida (eu? encantada com comida? duh). Era um tal de batata com alho no almoço, carne com batata e alho no jantar… e obviamente, depois de uma semana, eu não podia mais nem ver alho, nem batata.
Mas o tempo passou, eu continuei vindo, voltando, vindo, voltando, e recentemente JP decidiu se juntar a mim. Agora somos dois fazendo careta na hora de escolher o restaurante… (e segundo ele, vamos tentar comer em um que não faça com que a nossa barriga fique fazendo uóóóómmmmm depois… rs).
Um dos nossos restaurantes queridos aqui em Praga é o U Andela, em frente à estação de metrô de Andel. Quem me trouxe aqui foi a monstrinha da Yuhang, outra alucinada por comida…
O restaurante é um tipo de Grill, com várias carnes assadas e é claro, os marcos da comida tcheca: svicová (leia-se svitchcová – uma carninha de panela com molho e chantilly em cima) também mostrado nesse post aqui, cesnicka (tchesnitchka – sopa de alho), retratada no lendário post da sauna, e otras cositas más.
Dentre essas outras cositas estão a gulasová (gulashová – sopa de goulash), que se tornou uma das minhas sopas favoritas do inverno. É realmente uma sopa de goulash. Eles simplesmente fazem um goulash mais fino, com mais água, eu imagino. A base é de cozido, com muito tomate, batata e carninha… E no U Andela, ela vem dentro de um pãozinho… espanta o frio e ainda te faz feliz, mas é meio que um prato principal. É desafiador comer isso e depois ainda comer comida.

Mas depois é que vem a estrela da noite (ou do dia). Joelho de porco.
Minha história com joelho de porco é uma coisa estranha. Na minha casa a gente nunca foi muito de comer joelho de porco (briiiiiima!) e carne de porco em geral era só mais pra ocasiões especiais (pernil, essas coisas). Com exceção de calabresa, carne de porco não é muito a nossa lá em casa.
Talvez por isso, eu sempre tive meio que uma relação mágica com joelho de porco. Joelho de porco era aquela coisa que quase nunca era vista, custava caro, e era engordativa demais. Eu até comi uns joelhos de porco em restaurantes alemães na vida, mas normalmente JP que tinha colhão pra pedir e eu só bicava.
Quando a Yuhang me contou desse restaurante, ela disse: temos que ir a um restaurante que tem um joelho de porco incrível. Cara, essa mulher é uma inspiração: chinesa, da terra onde fez sombra, é comestível, ela se mudou pra Alemanha, terra onde as refeições são, no mínimo, substanciais. Se ela fala, eu escuto.
O joelho de porco do U Andela é um desbnde. Ele vem no espeto onde é assado, e o espeto vem colocado em um suporte quase vertical, sobre uma bandeja medieval de madeira, acompanhada por pão, mostarda e salada. Agora sente o drama.

Agora imagine o olho do João Paulo brilhando quando ele viu isso… não tem preço.
Na verdade tem, mas é camarada. 189 coroas tchecas, o equivalente a 19 reais. Tá bom assim?
U anděla
Hrnčířská 10
779 00 Olomouc
tel: +420 585 228 755
Mobile: +420 602 512 763
info@uandela.cz
Ontem estávamos eu e JP andando em Praga, quando eu passei por uma loja linda, dessas com um pé direito de uns 10 metros. Aí eu olhei e disse que esse tipo de espaço era o que eu sonhava em ter…
… e é claro que logo vem a resposta:
- O problema é que a gente ia ter que contratar o Homem Aranha pra limpar as teias de aranha do teto de casa.
Vou te contar que está um frio desgraçado aqui. Fui jantar hoje com a Mathilde e nem com 4 taças de vinho a coisa melhora. Amanhã vou pra Berlim, quem sabe a coisa muda…
Fui olhar no Google e foi isso que achei. – 9 graus. Affmaria!

Lembra que eu contei que todo mundo achava que o João tinha cara de turco quando estávamos na Turquia? Pois é. O tempo passa e a vida sempre me dá uns tapas na cara pra eu aprender a não ser engraçadinha.
Eu acho que sou a mais piadinha infame da estrela. Vivo rindo sozinha aqui, porque todas as mulheres são tchecas, que eu fui a um restaurante cheio de tchecas, que tinha um monte de tcheca na sauna, bibibi, bobobó… e sempre saí ilesa.
Eis que estou na República Tcheca faz mais ou menos uma semana e onde quer que eu esteja, as pessoas falam comigo em tcheco. Elas não falam em tcheco com a Yuhang ou a Kaori (por motivos óbvios), mas falam comigo.
E então eu tive uma revelação:
JESUS, EU DEVO TER CARA DE TCHECA! 
Ai, que vergonha do Vardi.
Pra contar pra você sobre a minha série da svidaniya, eu vou começar pelo começo. Um dia estávamos eu, o João e a Patrícia, tia dele, dirigindo de Londres pra Paris. Aí atravessamos o canal de balsa, o que é muito legal, e depois fomos ao supermercado do outro lado comprar algo pra beber (porque Calais não é lá essas coisas, era cedinho e as coisas não estavam abertas ainda). Toca ir todo mundo pro Carrefour. Chegando lá, achei um casaco lindo… dessses de pelinha (falsa, não se preocupe. Eu mato animais só pra comê-los ou pra fazer sapatos, não casacos), longo, com punhos de pelinha… uma graça… com um preço ridículo (sei lá, devo ter pago uns 30 euros). Eu, que não tenho preconceito com coisa bonita, comprei o casaco, e rodei a Europa nele. Ele foi meu amigo e me ajudou nos dias em que Deus mandava um frio de cair a cara, como você pode ver na foto.

E eu batizei o meu casasaco de casaco da svidaniya, por motivos óbvios (da svidanyia significa tchau em russo).
Anteontem, estava eu aqui na Rep. Tcheca fazendo compras na liqui, porque eu não sou de ferro, quando vejo um chapéu daqueles de tiazinha russa, de pele. Inicialmente eu olhei e dei risada, aí a Yuhang vira pra mim e fala: Kimi, custa um euro! (eu juro! um eurinho). Ah, a[I tudo bem gastar com um chapéu de vovozinha russa. Ele é meu chapéu da svidanyia.
Eu não tenho uma foto dele, mas vou tirar…
Agora sim meu arsenal eslavo está ficando completo! Iei!